“As metáforas tântricas não só estão destinadas a ocultar ao intruso o verdadeiro significado dos ritos como também são manifestações verbais da analogia universal em que se funda a poesia. Esses textos são regidos pela mesma necessidade psicológica e artística que levou nossos poetas barrocos a construir um idioma dentro do idioma espanhol, a mesma que inspira a linguagem de Joyce e a dos surrealistas: a concepção de escrita como o duplo do cosmos. Se o corpo é um cosmos para Sahara, seu poema é um corpo – e esse corpo verbal é sunyata. (…) É preciso estar no segredo. Digo estar e não saber o segredo. É preciso participar (…). Não basta conhecer a chave para penetrar no bosque dos símbolos, é preciso ser símbolo entre os símbolos.”

— Octavio Paz, Conjunções e Disjunções.

“En esta época de retorno desmelenado y turístico a la Naturaleza, en que los ciudadanos miran la vida de campo como Rousseau miraba al buen salvaje, me solidarizo más que nunca con: a) Max Jacob, que en respuesta a una invitación para pasar el fin de semana en el campo, dijo entre estupefacto y aterrado: “¿El campo, ese lugar donde los pollos se pasean crudos?”; b) el doctor Jonson, que en mitad de una excursión al parque de Greenwich, expreso enérgicamente su preferencia por Fleet Street; c) Baudelaire, que llevo el amor de lo artificial hasta la noción misma de paraíso.”

— Julio Cortázar, Un tal Lucas.