“As metáforas tântricas não só estão destinadas a ocultar ao intruso o verdadeiro significado dos ritos como também são manifestações verbais da analogia universal em que se funda a poesia. Esses textos são regidos pela mesma necessidade psicológica e artística que levou nossos poetas barrocos a construir um idioma dentro do idioma espanhol, a mesma que inspira a linguagem de Joyce e a dos surrealistas: a concepção de escrita como o duplo do cosmos. Se o corpo é um cosmos para Sahara, seu poema é um corpo – e esse corpo verbal é sunyata. (…) É preciso estar no segredo. Digo estar e não saber o segredo. É preciso participar (…). Não basta conhecer a chave para penetrar no bosque dos símbolos, é preciso ser símbolo entre os símbolos.”

— Octavio Paz, Conjunções e Disjunções.